"E assim as folhas caem lentamente dos galhos, o floco de neve desliza junto ao vento, o primeiro botão de rosa desabrocha e os raios do sol esquentam a pele.
Assim o tempo escorre pelas nossas mãos, como areias em uma ampulheta.
Tão implacável. Tão indiferente. Mas aquela sensação de perda, de tristeza e de incerteza.
Aquela sensação de desalento e de esperança continuam agarradas ao coração. O que sinto? Saudades. Saudade de alguém que se foi para nunca mais voltar, de alguém que um dia irá regressar ou de alguém que ainda sequer partiu.
Sinto falta daquilo que não tenho e daquilo que já perdi. Por que esta sensação amarga não desaparece?
Se o vento apaga as pegadas na areia, poderia apagar meus sentimentos. No entanto, nada pode arrancar da alma aquilo que ela espera com desejo, nada pode tirar do coração a sensação de perda e nada irá fazer sumir as lembranças guardadas na mente.
As estações irão passar e ainda sim, a saudade permanecerá, pois é a única companheira que resta para aqueles que têm paciência de esperar."
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